Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. Sócrates

domingo, 21 de fevereiro de 2021

É tempo de deserto, prova, meditação, escuta e discernimento

 Por Ir. Gecinéia de Lima

No primeiro Domingo da quaresma de 2021, nossa liturgia nos presenteia com o texto de Marcos 1, 12-15.

Jesus sente a necessidade de afastar-se, distanciar-se, encontrar-se consigo, encontrar com o Pai. Ver e escutar, avaliar sua vida, sua realidade, estabelecer metas, direcionar a missão à qual foi enviado. Jesus, o Filho amado de Deus, recebe a missão de ser fiel aos apelos de quem lhe enviou, dar direito a quem clama por vida, saúde, teto, comida, acolhimento, respeito a quem vive.

Por tanto, é chegado o momento, em meio a tantos apelos, é preciso calar para priorizar e fazer o caminho que é chamado a entregar-se, e perguntar-se a que ponto vai sua entrega.

Ir para o deserto submeter-se à prova de entregar-se totalmente até às últimas consequências ou calar-se? Deixar que os sem voz e sem vez pereçam ou ter empatia para que a vida se torne abundante sem exceção? Dar espaço ao egoísmo ou à solidariedade? Mergulhar no individualismo de sua mentalidade ou abrir-se à escuta? Buscar rumos que possibilitem vida abundante em conjunto ou apenas a quem se julga “eleito” e “santo de teoria”

Quarenta dias de deserto, quarenta dias de sofrimento buscando libertação, quarenta dias para sair da miséria, da fome, da doença, da exclusão, da escravidão física, escravidão mental, escravidão do poder que mata, que manipula.

Quarenta dias para libertar-se da prisão que amedronta, da prisão que não traz nova visão, da prisão que justifica o número de mais ou menos 245 mil na pandemia do novo coronavírus no Brasil? Sem contar as mortes por outras doenças.

Jesus ouve a voz que lhe envia anunciar a Boa Notícia, cheio da voz que ecoa, e com o coração transbordando, ardendo de compaixão e misericórdia, sai do deserto repleto da luz que lhe envia a dizer para aquelas e aqueles que o seguem, o tempo se cumpriu, o reino de Deus está próximo, arrependei-vos e crede na Boa notícia!

O Evangelho de Marcos nos apresenta o início da atividade messiânica de Jesus, que sai do deserto para a Galileia. Jesus inicia seu caminho (metodologia), quem quiser seguir esse caminho, precisará aproximar-se e fazer-se irmã e irmão de toda e qualquer pessoa excluída de ter vida, toda e qualquer pessoa que lhe foi arrancada sua dignidade e seu direito. Com Jesus será a hora dos que não tem voz e vez e das que não tem voz e vez, quem quiser fazer esse caminho precisará rasgar não apenas as vestes, precisará praticar não apenas os ritos, precisará rasgar com emergência o coração.

Quem quiser seguir Jesus precisará dialogar e sair de sua autossuficiência e julgamento, superar as tentações do intimismo de uma fé que prende, que aliena, que tira a humanidade. Será preciso agir com o coração e não como uma máquina fria, sem sentimentos.

Quem quiser seguir Jesus, precisará ter fé inteligente, que acolhe, que ama, que não exclui nada, que não exclui cosmo, meio ambiente, pessoas, que não exclui ninguém.

A fé inteligente nos faz olhar pro céu, ir ao deserto e em seguida ir à Galileia para proclamar a Boa Notícia do Reino que começa aqui e agora.

E que Reino é esse?

Ir. Gecinéia de Lima e Silva é professora de Filosofia, teóloga e missionária de Jesus crucificado

quinta-feira, 30 de agosto de 2018


Salmo: - Zé Vicente

Como te cantarei, Senhor? (4x)
Quando a justiça nos falta, quando o poder nos oprime, quando forçaram calar nossa voz, nossa dor, Senhor! Quando da terra expulsos, em terra alheia sofremos, quando obrigaram a esquecer nossa historia de amor, Senhor!
Como te cantarei, Senhor? (4x)
Quando arrancam os frutos e o lucro de nossas mãos, quando é negado ao pobre o direito e o valor, Senhor! Quando perseguem e matam os companheiros da gente,
quando esmagam a esperança e nos fazem o terror, Senhor!
Como te cantarei, Senhor? (4x)
Quando prometem e enganam, a confiança do povo, quando dividem os pequenos num plano traidor, Senhor! Quando na cruz te afogaste, no poço de nossa dor, contigo ressuscitamos Jesus vencedor, Senhor! Como te cantarei, Senhor? (4x)



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Cora Coralina – Poemas


Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

(Conferido e digitado por mim mesmo e Rebeca dos Anjos em 1 de novembro de 2012, retirado do livro Melhores Poemas; seleção e apresentação Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 3a edição, 2008. 4a reimpressão, 2011. p. 243)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Os olhos de Camila "Rubem Alves"

Imagem

O tempo opera cruéis transformações sobre o corpo. Um dos livros mais sábios jamais escritos, o Tão Te Ching, assim as descreve: “Um homem, ao nascer, é macio e frágil. Ao morrer, ele é duro e rígido. As plantas verdes são macias e cheias de seiva. Na sua morte, elas estão murchas e secas. Portanto, o rígido e o que não se curva são discípulos de vida”.
Esse processo inexorável de endurecimento manifesta-se primeiramente nos olhos. A morte tem especial predileção pelo olhar. Bachelard sabia disso e se perguntava:
“Sim, a luz de um olhar, para onde ela vai quando a morte coloca seu dedo frio sobre os olhos de um morto?”.
É nos olhos que ela injeta o seu sêmen…
Escher. Não sei se esse nome lhe é familiar. É melhor que seja porque, no dia do Juízo Final, Deus vai lhe perguntar sobre ele, e não vai gostar se você disser que
nunca ouviu esse nome. Assim, trate de conhecê-lo antes de morrer.
Os desenhos de Escher se encontram em qualquer livraria boa. Não são baratos. Se forem caros demais, veja na livraria mesmo. Freqüentar livrarias para brincar de
ver figuras e ler é uma felicidade gratuita. Já passou pela sua cabeça que livrarias são playcenters? Brincam as ideias com as palavras, brincam os olhos com as imagens, brinca o nariz com os cheiros cheios de memórias que moram nos livros, brinca o tato, os dedos acariciando o papel liso como se fosse a pele do corpo amado…
Mas, se você tem o dinheiro, vale a pena comprar. Você gastou dinheiro comprando óculos para ver melhor. Gaste dinheiro agora dando aos seus olhos o que ver. Caso contrário, você será como o tolo que compra panelas e não compra comida. As gravuras de Escher são comida para os olhos: fazem mais bem aos olhos do que os melhores colírios…
Os desenhos de Escher são koans, desafios ao olhar, terremoto da inteligência. Uma das suas gravuras mais terríveis tem o nome de Olho: é só um olho e, dentro dele, refletida, a imagem da morte.
Comparando o dito de Tão Te Cbing com a gravura de Escher, concluo que aquele é um olho adulto, pois é no corpo endurecido de adultos que a morte mora.
O remédio, segundo o mesmo livro, é tornarmo-nos “de novo como crianças pequenas”. Se isso lhe acontecer, você não voltará a ser criança pequena de novo, como pensou o tolo Nicodemus quando Jesus lhe disse a mesma coisa; você ficará como criança pequena. Ficar como criança pequena é ficar sábio. Diz o Tão Te Ching que o segredo do sábio – a razão por que todos olham para ele e o escutam – é que “ele se comporta como uma criança pequena”. O sábio é um adulto com olhos de criança. Os olhos,diferentemente do resto do corpo, preservam para sempre a propriedade mágica de rejuvenescimento.
Sua cabeça de cientista provavelmente discordará. Você dirá que somente os adultos vêem direito. Os adultos passaram muitos anos nas escolas, seus olhos fizeram caminhadas infinitas pelos livros. Os seus olhos sabem muito, estão cheios. Por isso, devem ver melhor.
Mas esse é, precisamente, o problema. Quando um balde está cheio de água, não é possível colocar mais água dentro dele. Os olhos dos adultos são como balde cheio, como um espelho no qual se colou uma infinidade de adesivos coloridos. O quadro ficou bonito. Mas o espelho se foi. O espelho parou de ver. Ficou cego.
Os olhos das crianças são baldes vazios. Vazios de saber. Prontos para ver. Querem ter tudo. Tudo cabe dentro deles. Minhocas, sementinhas, bichinhos, figuras, colheres, pentes, folhas, bolinhas, colares, botões. Os olhos de Camila, minha neta, se encantam com as coisas. Para eles, tudo é fantástico, espantoso, maravilhoso, incrível, assombroso.
Os olhos das crianças gozam da capacidade de ter o “pasmo essencial” do recém-nascido que abre seus olhos pela primeira vez. A cada momento eles se sentem nascidos de novo para a eterna novidade do mundo.
Walt Whitman diz que, ao começar os seus estudos, o que mais o agradou foi o dom de ver. Ficava encantado com as formas infinitas das coisas, com os mais pequenos insetos ou animais: “[o passo inicial] me assustou tanto, e me agradou tanto, que não foi fácil para mim passar, e não foi fácil seguir adiante, pois eu teria querido ficar ali flanando o tempo todo, cantando aquilo em cânticos extasiados”.
Os olhos dos adultos, havendo se enchido de saber, e havendo, portanto, perdido a capacidade de ver das crianças, olham sem nada ver (daí o seu tédio crônico) e ficam procurando cura para sua monotonia de ver em experiências místicas esquisitas, em visões de outros mundos, ou em experiências psicodélicas multicoloridas.
Pois eu lhe garanto que não existe visão de outro mundo que se compare, em beleza, à asa de uma borboleta. Quem o disse foi Cecília Meireles, poetisa. Os poetas são religiosos que não necessitam de religião porque os assombros deste mundo maravilhoso lhes são suficientes. Foi assim que ela pintou a cosmologia poética que seus olhos viam:
No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro-, e no canteiro, uma violeta,
e sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

“Um homem, ao nascer, é macio e frágil. Ao morrer, ele é duro e rígido.”
O que o sábio chinês disse ao corpo inteiro, o poeta espanhol Antônio Machado disse aos olhos:
Olhos que para a luz se abriram
um dia para, depois,
cegos retornar a terra,
fartos de olhar sem ver!

O Monge e o Escorpião


Henry Nouwen conta uma história de um velho que costumava meditar bem cedo, a cada manhã, aos pés de uma enorme árvore na margem do rio Ganges. Numa manhã, depois de ter terminado sua meditação, o velho abriu os olhos e viu um escorpião flutuando sem defesa sobre a água. O homem então, tentou salvar o escorpião, estirando seu braço para a beira do rio próximo à árvore. Quando tocou o escorpião, este o picou. Por instinto o homem recolheu a mão. Alguns segundos mais tarde o homem tenta novamente estirar sua mão sobre as raízes da árvore submersas e salvar o pobre selvagem animal. Desta vez o escorpião picou muito gravemente a mão do homem, a ponto que o veneno deixasse sua mão inchada e cheia de sangue, e seu rosto contorcido de dor.
Naquele momento passou um viajante, e viu o velho estirado de dor, lutando contra o escorpião e gritou:
- Ei, velho, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna. Você não sabe que pode se matar tentando salvar esse escorpião ingrato?
O velho virou a cabeça, e olhando nos olhos do viajante, disse calmamente:
- Meu amigos, só porque é da natureza do escorpião picar, isso não muda a minha natureza de salvar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

https://www.facebook.com/home.php?ref=tn_tnmn&__req=g

Distração
DISTRAÇÃO
Pe. Zezinho SCJ
.(LP: HISTÓRIAS
 QUE EU CONTO E CANTO)
Felicidade chegou, nem sequer se apresentou Foi entrando de mansinho pela fresta que eu deixei, quando a porta eu fechei e jurei não mais amar! Esperança chegou, nem se quer se apresentou Foi entrando do mansinho pela fresta que eu deixei, no sermão que eu escutei e lutei pra não chorar! Jesus Cristo chegou, nem sequer se_apresentou Foi entrando de mansinho pela fresta que eu deixei, num irmão que eu ajudei sem querer devolução! Minha vida mudou, minha paz eu encontrei E ela veio de mansinho, pelas frestas que eu deixei, o porque me descuidei. Deus entrou com seu amor


Manda Profetas



Padre Zezinho
O povo te olhava com fome
Tiveste pena
Ninguém ajudava aquele homem
Tiveste pena
Da mãe que passava chorando
Tiveste pena
Tu tinhas dó das pessoas
Quando as pessoas sofriam
Às vezes te antecipavas
Quando as pessoas sofriam
Olha o teu povo com fome, Senhor!
Olha o teu povo com medo, Senhor!
Olha o teu povo ferido, Senhor!
Olha o teu povo sem paz!
Manda profetas que enfrentem a dor
Manda profetas que lutem, Senhor
Manda profetas que falem de amor
Manda profetas que chorem conosco!

http://www.vagalume.com.br/padre-zezinho/manda-profetas.html#ixzz2Amonz36f

domingo, 28 de outubro de 2012

Então, Marcus Alexandre ganhou para prefeito de Rio Branco, que bom, gostei.


Então, Marcus Alexandre ganhou para prefeito  de Rio Branco, que bom, gostei. A diferença foi pequena, apertada, ufa! 90.557 contra 87.818, não é uma diferença muito grande mesmo, porém o fato é que Macus Alexandre ganhou. A vitória é de mais da metade da população Rio-branquense.  E  por falar nessa  população, a maioria, é realmente, a maioria da periferia, e por gentileza; não venha com essa história de votos: por medo de perder cargo, ou por compra de voto, ou até mesmo por roubo de urna, pois a cidade estava explodindo de vermelhinhos para todos os lados, isso, vimos também no dia-dia; bandeiras vermelhas hasteada por vários lugares da cidade, na “baixada da Sobral ou baixada do sol” ou pelos bairros: Caladinho, Lavocat, Tancredo Neves, Montanhês, etc, víamos  muitas bandeiras colorindo as periferias, e  olha que a maioria desse povo, nem emprego tem, digo, de todas as periferias onde vimos as bandeiras, a maioria está desempregada ou é aposentado, ou é autônomo, ou é concursado, por tanto, não venha novamente dizer, que votaram por medo de perder seus cargos. E digo mais, se ainda hoje, existe realmente gente votando por medo de perder cargo, ou sendo obrigado a balançar a bandeira ou fazer campanha por medo de perder cargo, está mais do que na hora de denunciar, levantar provas, apresentar, e com certeza não perderá seus cargos, o que duvido muito, pois acho que essas provas não existirão.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



Leituras do dia 26/10/2012
1ª Leitura: Efésios capítulo 4 versículo 1 a 6 (Ef 4,1-6)
Ef 4,1-6
Contexto:  Exortação para viver  o mistério de Cristo, exortação a unidade,” com seus requisitos ou consequência”. Elenca alguns  fatores  como  princípio de unidade. (4-6)¹
Efésios é uma grande cidade portuária da Ásia Menor. Era Capital da província romana da Ásia, com toda estrutura do Império. O solo fértil favorecia a agricultura e a pecuária. Havia um porto com comércio intenso e muito artesanato. Cultura em destaque: filosofia, artes, letras e teatro. Além de cultuar o imperador como divino, Éfeso era também a sede da Deusa Ártemis (At, 19, 23-34). ²
O que diz o texto: A leitura faz uma convocação, a viver na unidade, segundo a vocação centrada em Jesus Cristo, essa unidade, exige um esforço,  de humildade e modéstia, paciência e de suporte ou suportar-se  no amor, conforme o seguimento ao Cristo. Pois é a fé no Cristo que irá manter a unidade do espírito  como vínculo da paz, ligada em Jesus Cristo e em Deus Pai, que está acima de tudo.
O que diz para nós hoje:  Que indiferente da denominação religiosa cristã, somos chamadas e chamados, a viver esta unidade, existe um Cristo que nos une, e que através de seu testemunho, somos chamadas e chamados a viver esta unidade, nesta centralidade que nos aponta o próprio Jesus Cristo, isso se estendendo a outros credos, pois somos  chamadas e chamados a testemunhar  e viver, a unidade do amor maior, com  humildade, paciência, acolhida  e toda bondade,  inspirada no testemunho do próprio Cristo.
Como seguir a Jesus: como o texto nos ajuda a seguir a Cristo na vida em comunidade?
Buscando a intimidade com Jesus, ou seja, a oração em comunidade (em grupo), oração pessoal, nos ajuda a parar, olhar para dentro de si, fazer uma avaliação de nossas atitudes, encontrando inspiração através da  palavra que liberta, transforma e nos faz melhor no amor ,em amar a próxima, o próximo, indiferente deste, fazer ou não, parte de nosso grupo de amizade e convivência.

Salmo 23
Contexto:
SALMOS: a vida em forma de oração.
Esses cânticos nos revelam a espiritualidade do povo de Israel. São o coração do Primeiro Testamento. Eles são o cotidiano da vida transformado em oração. Toda a vida de Israel está espelhada nos salmos, que estão profundamente enraizados na experiência do dia-dia. Talvez seja por isso que são tão espontâneos. Diferentes situações de vida, como a alegria, as dores, as esperanças, as vitórias e derrotas, são transformadas em oração de louvor, de ação de graças, de suplica, de lamento e de confiança.
Também os lugares de formação dos salmos são os mais diversos. Eles nasceram no campo, na cidade, na terra de Israel, na Babilônia.
Podemos comparar os salmos com a água de um rio, pois percorrem e fertilizam a história, a mística, a vida das pessoas e comunidades que o rezam.
Embora tenhamos salmos que falam na 1ª pessoa do singular, é preciso que rezemos como cânticos comunitários, pois sua base é a história de um povo, celebrada a luz da fé. Se os salmos com linguagem individual foram colocados no cancioneiro das comunidades, isso quer dizer que foram assumidos por toda a comunidade, já na época da Bíblia. ³
O título hebraico do saltério quer dizer “hinos”. A palavra  “salmo” vem do grego e quer dizer “canto acompanhado com  instrumento musical”. De fato, há muitas referências a instrumentos musicais. ²
Há várias formas de classificar  os salmos. Vamos classificar assim. Salmos de libertação,  de instrução, de louvor e de celebração de eventos da vida.³
Vamos ao Salmo do dia, o Salmo 23, este salmo é um Salmo de libertação. Os salmos de libertação também podem ser chamados salmos de súplica. Na maioria deles, podemos escutar o grito por socorro dirigido a Deus. ³

O que diz o texto: O salmo fala da confiança do salmista em Deus, seu Pastor, que não deixará faltar nada em sua vida.  É o pastor quo leva a descansar, caminhar  por verdes pastagens e nelas descansar,  onde restaura suas forças, que mesmo em vales, em sombras em perigos, não temerá mal algum, pois a presença de Deus, e confiança nessa presença, o faz forte combatente. Que depois do perigo ele irá está junto do Deus que acolhe em sua casa. Mesmo em meio ao perigo, a confiança no  Deus  o sustenta e o fortalece.
O que diz para nós hoje:  Que Deus continua presente, que sua presença desperta em nós a confiança, em meio aos desafios, mesmo que esses desafios sejam obstáculos difíceis de serem superados.
Como seguir a Jesus: como o texto nos ajuda a seguir a Cristo na vida em comunidade?
Olhando para Jesus, narrado pelos evangelhos, podemos ver a imagem de um filho intimo, que busca sempre falar com Deus, através de sua oração, Jesus, está disposto a caminhar rumo ao acolhimento a pessoas excluídas em seu tempo, mesmo que esse acolhimento,  venha lê trazer serias consequência, Jesus dá testemunho de sua fé no Deus presente e na história. Assim, igual o Salmista expressa sua confiança em Deus acolhedor, Jesus também expressa nos evangelhos essa confiança, sua vida parte da oração pessoal, que aponta para o comunitário (vivências em grupo).

Contexto das  comunidades (evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas (sinóticos) e João )
Os primeiros cristãos, mais do que nós, tinham uma consciência muito clara: Jesus, o mesmo que foi morto na cruz, está vivo no meio de nós! Eles lembravam e transmitia as “Palavras e Gestos de Jesus”. Queriam imitá-lo e segui-lo. Vivo mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20) (tirado do livro Tua Palavra é Vida – Volume 5- Seguir Jesus nos evangelhos).
O Evangelho de Lucas, apresenta o caminho de Jesus, e tem como  cidade de referencia a cidade de Jerusalém. Esta cidade é o ponto de chegada do caminho de Jesus. Aí ele vai morrer, ressuscitar e subir ao céu, terminando a sua missão. O caminho de Jesus é, por tanto, a pedagogia que ensina a fazer a história dos pobres que buscam um mundo mais justo e mais humano. Com efeito, Jesus traz o projeto para uma ordem nova, a libertação que leva a “população” à relação de partilha e fraternidade, substituindo as relações de exploração e dominação. (introdução Bíblia pastoral)
Fariseus: dentre outras atribuições, os Fariseus,  buscavam a pureza pessoal nas suas associações¹, considerava o pobre como ignorante e maldito(Jo 7,49), cheio de pecado (Jo 9,34), e não o deixavam entrar no reino (Mt 23,13). Jesus, ao contrário, diz que o Reino é dos pobres e os proclama felizes (Lc 6,20).² (¹ Livro: Bandidos, Profeta e Messias. ² Livro: tua palavra é vida pagina 33).
Lucas capítulo 12,54-59
O que diz o texto: O texto traz continuidade de uma fala de Jesus, e nesse tempo Jesus está falando  a multidão, porém mandando um recado para os fariseus, ele bem no início do capítulo 12, chama os fariseus de hipócritas também, pede que a multidão que está ali perto, tome cuidado com a hipocrisia dos fariseus (fermento). E nos versículos 54 a 59. Ele diz que os fariseus, estão acostumados e sabem interpretar os aspectos da terra e do céu, mais não sabem interpretar o tempo presente, interpretar o que é justo para esse tempo, por que não buscam a justiça e ser justo, enquanto ainda não foram entregue ao juiz, pois se acontece de serem entregues antes, terão que pagar sua pena até o último centavo.
 O que diz para nós hoje:   Ainda hoje, Jesus diz, que podemos ter falas bonitas, podemos ter várias interpretações, ter famas, mais se nossa justiça, não superar a do poder opressor, manifestado em todos o ambientes de nossas sociedade, não adiantará nada, pois está em comunhão com o projeto de Jesus, é está em comunhão com projeto de pessoas menos favorecidas, e posta a margem do convívio social. Do que adianta dizer que somos cristãos, seguidores de Cristo, se damos valor somente ao nosso próprios interesses e não o bem comum, pois ser Cristão é aderir a proposta de Jesus, para todos e todas sejam incluídos e incluídas, e tenham vida e vida em abundância, então se nosso projeto não é o de Jesus, pra que se dizer cristão, cristã?
Como seguir a Jesus: como o texto nos ajuda a seguir a Cristo na vida em comunidade?   Segui-lo,  incluindo quem está excluído ou excluída, os de fora de casa, mais os de dentro e dentro de casa também, buscar a justiça, praticar o bem, praticar  a unidade, dar suporte e fazer um esforço de suportar com amor e humildade, quem está próximo...

Oração: Deus da vida e do amor, dai-nos a graça de abrirmos nosso coração ao próximo e próxima, mesmo que venha ser diferente de mim, dos valores que carrego, ou até mesmo, da pessoas que as vezes tem o mesmo objetivo, mais que por muitas vezes não conseguimos caminhar para o conjunto. Dai-nos a graça de amar de forma incondicional e lutarmos por um mundo mais justo, onde a partilha dos bens seja para que a maioria  tenha o básico, terra, casa, trabalho, comida e vida, muita vida. Que possamos ainda possam ter liberdade de expressão e ter nosso espaço na caminhada conjunta. Dai-nos a graça de termos um coração aberto, livre de preconceito de qualquer tipo. Nos  abençoe Deus da vida e do amor, nos guia por teus caminhos, nos mostrando onde devemos está. Amém 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


terça-feira, 27 de dezembro de 2011


MENSAGEM A TODOS QUE LUTAM POR UM MUNDO MAIS HUMANO

Transcrevo hoje aqui, neste espaço, um texto do meu amigo Valter, que é escritor e pesquisador.


Aproveito para desejar a todos/as um bom final de 2011 e um ótimo início de 2012.


bjos
Odete



Há tempos venho tentando compreender o real significado das confraternizações de final de ano em todo o mundo. Os tempos modernos são marcados por intensos conflitos de toda ordem: políticos, econômicos, sociais, étnicos, religiosos, dentre vários outros. Assistimos, nestes tempos, a crimes e enfrentamentos bárbaros, onde os valores humanos são deixados para o último plano. São milhares de assassinatos, latrocínios, estupros, crimes hediondos ligados à intolerância étnica e religiosa, à homofobia, crimes monstruosos contra mulheres e crianças, enfim, atrocidades que, na grande maioria das vezes, nos deixam, petrificados, horrorizados. Que tempos são esses afinal de contas? O que justifica tanta insanidade? Por que a mídia se delicia tanto ao noticiar tais monstruosidades?

Outras vezes presenciamos barbaridades sem nenhuma justificativa; matam-se por dez reais, por uma dose de aguardente. Aí indagamos: o que move a humanidade nestes tempos presentes? Qual ou quais os projetos de vida movem o ser humano? Será que existe nos tempos modernos algum projeto de vida, de mundo, de felicidade humana? Verificamos que existe uma forte indústria midiática que vive à custa da mediocridade humana, sobrevive das migalhas que caem da mesa da desgraça humana. Se pensarmos com mais profundidade, notaremos que o sistema capitalista sobrevive, nos tempos atuais, da miséria e da desgraça que toma conta da humanidade. Verificamos que o sistema que nasceu da promessa da felicidade humana [“liberdade, igualdade e fraternidade”], chegou a tal estado de degeneração que, nos tempos modernos sobrevive das mazelas resultantes da podridão da humanidade; indústria da fome, indústria de armamentos, da seca, do câncer, da AIDS, do narcotráfico, dos agrotóxicos, dos pesticidas, dos transgênicos, dos sequestros, enfim, para cada parcela da desgraça humana, se liga um determinado grupo que se enriquece.

Muitos devem perguntar; mas, por que é que esse cara tem que falar disso em plena época de festividades, de natal, do nascimento do “filho de Deus”? Eu digo meus (minhas) caros (as) Leitores (as)! É nessa época que toda a hipocrisia humana aflora com toda sua intensidade. Nessa época os piores inimigos dão as mãos, se abraçam em nome da fé, da solidariedade. Contudo, passado este momento se degolam com voracidade ainda maior. Nessa época em que milhares de pessoas se reúnem em torno de fartas mesas quilométricas, nossos irmãos morrem de fome no continente africano. Nessa época de “fraternidade extrema”, comunidades inteiras padecem de sofrimento por doenças espalhadas pelo projeto humano de sociedade, milhares de pessoas tentam, em vão, sobreviver muito abaixo da linha de pobreza.

Nessa época, a mesma mídia que enfatiza as piores atrocidades para vender suas notícias, que se utiliza durante todo o ano da desgraça humana para aumentar seus já gordos lucros, muda seu discurso e passa a ser a grande precursora da solidariedade e fraternidade humanas. É justamente nessa época que vemos os grandes grupos econômicos fazerem caridade com o dinheiro público, que assistimos os políticos mais corruptos distribuírem o sopão para os menos favorecidos [de olhos nos votos da próxima eleição]. Pois bem! Caros (as) Leitores (as)! Deixo aqui minha reflexão final: em nome de qual “Deus” esses senhores pregam a tal solidariedade? Em nome de qual “Deus” esses senhores distribuem mensagens de felicidade? De qual “amor”, de qual “justiça”, de qual “Fé” se falam nas festividades de final de ano? Enfim, para onde caminha a humanidade neste limiar de século XXI? Com certeza, caminha em direção a um novo modelo de sociedade: uma sociedade pautada nas mazelas da barbárie, uma sociedade na qual cada ser da nossa espécie se transforma em sucata, em dejeto humano, uma sociedade autofágica em toda a plenitude da palavra.

Valter Machado da Fonseca
Escritor. Pesquisador. Geógrafo, Mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia.